Um atacante da França, seleção bicampeã do mundo em 2018, comemorou o título de seu país com uma bandeira em seus braços: a do Uruguai. Antoine Griezmann tem fortes laços com o país de Darío Pereyra, Pablo Forlán, Cavani e Suárez. Na época em que se tornou profissional no Real Sociedad, da Espanha, o treinador da equipe era um uruguaio e moldou o estilo do futebol de Griezmann nas primeiras partidas do jogador. O francês também se tornou muito amigo de Carlos Bueno, atacante titular do time na mesmo período em que ele esteve por lá.

Desde então, Griezmann pegou muito carinho pelo Uruguai. Os laços com o país charruá se fortaleceram no Atlético de Madrid, graças a jogadores como o zagueiro Diego Godín e sua amizade fora de campo com Luis Suárez, do Barcelona. O atacante adora o estilo de vida dos uruguaios fazendo questão de copiar quase tudo. Prova disso é que ele não desgruda de um mate, aquele tipicamente uruguaio, amargo e que faz parte da rotina de todos que nascem no país. Além disso, influenciado por Carlos Bueno, aprendeu as músicas do Peñarol e torce pelo clube sempre que pode. Vale lembrar que na final da Libertadores da América 2018, o francês escolheu o Boca Juniors como favorito por causa de Nahitan Nandéz. Além disso, o estilo bianchista parece doutrinar o camisa sete em diversos momentos.

Nas quartas de final do Mundial na Rússia, Griezmann deu uma assistência abrindo o placar daquela partida e fez o segundo gol contra o Uruguai. Em nenhuma das ocasiões o francês comemorou. Depois do jogo, disse que evitou festejar por respeito a um povo que admira muito e o ensina sobre a essência do futebol. Na final da Copa do Mundo, após sair campeão, Griezmann recebeu a bandeira uruguaia de um jornalista que estava na sala de entrevistas enquanto falava com a imprensa. Ele a colocou os ombros e ainda celebrou com a famosa frase: ‘Uruguai nomá’. No entanto, mesmo com tanto carinho pelo estilo de vida uruguaio, o atacante ‘le bleu’ nunca havia tido a oportunidade de conhecer o país que tanto admirava.

Como pode um francês, do outro lado do oceano, se apaixonar por um pequeno país sem nunca ter ido lá? Tem coisas que o futebol proporciona e não se explica. Contudo, seu encontro com o povo uruguaio veio ainda no fim de 2018, quando Griezmann foi para Montevideo a convite de Godín para a festa de casamento do zagueiro. Além do jogador francês, a seleção uruguaia em peso marcou presença. E ao invés de presentes, Godín pediu para os convidados fazerem doações para arrecadar dinheiro e ajudar um hospital infantil de Montevideo com a compra de um aparelho de última geração para auxiliar no tratamento de crianças.

Mas o protagonismo da festa ficou com o atacante francês. Griezmann cantou todas as músicas de Agustín Casanova, considerado o “Maluma” do pop uruguaio e responsável pelo show que animou os convidados de Godín e sua esposa. No dia seguinte, também conheceu a sede do Peñarol e andou pela capital uruguaia. Um passeio que ele disse recentemente ter sido inesquecível e marcante para toda a vida.

Griezmann é a constatação de que o futebol rompe fronteiras e pode ser a motivação para qualquer apaixonado por esse esporte, em qualquer canto do planeta, descobrir suas inspirações e sua personalidade independente da nacionalidade. Para muitos, é difícil entender Griezmann. Mas será que é preciso entender? Ser uruguaio no futebol vai muito além de escolhas ou gostos. Talvez seja um destino arrebatador para quem respira o futebol raiz e tenta ignorar a modernidade gourmet. Ser discípulo do futebol que Oscar Tabárez transforma com a educação é uma aula a cada dia.